sexta-feira, 22 de setembro de 2017

quando a luz se apaga

Quando a luz se apaga consigo ver-me.
Estou quase lá no fundo de mim, tão irrequieta quanto alguém deveria estar numa situação semelhante. Se porventura desvio o olhar - e basta um único segundo-, tenho a impressão que aquele eu se deixa ir; que a força de lutar lhe abandona o corpo e é até ao fundo que a maré o leva. E nós nunca soubemos nadar. Fingimos que sabemos de vez em quando porque gostamos da sensação de conseguir algo (por mais efémero que esse algo seja).
Se desviar o olhar, tenho a certeza que não voltarei a ver-me.
E eu já estive lá em baixo vezes suficientes para saber que não gosto de como é escuro. Já estive lá em baixo vezes suficientes... mas não sei quantas nos são permitidas voltar. Então tenho a certeza que não nos posso ou quero deixar ir, mas é mais forte que eu e volta a acontecer. Uma vez. Duas. Outra. Só para no fim me olhar um bocadinho mais longe de mim. De nós. Porque sou eu ali e o aqui não é igual. Aquele é um ser pequeno, frágil e que não esconde quando dói ou fazem doer. Tentamos viver vidas separadas na luz, mas somos um só quando se apaga. Luto por mim ali. Por mim aqui. Por nós.
É quando a luz se apaga que luto, lutamos. Ou desisto.

[Estes silêncios de uma quase madrugada não merecem ficar nos rascunhos]

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