sábado, 28 de abril de 2018

Há palavras que custam a ser escritas. Na minha cabeça, já escrevi este texto mais de muitas vezes. Escrevi-o com todos os detalhes possíveis. Escrevi-o simples. Não o fiz. Há palavras que custam a ser escritas agora que deixei de ser alguém e sou apenas Maria. Não me dei conta como se deu. Talvez tenha dado demasiado de mim. Ou talvez tenha sido a minha necessidade infinita de precisar e de querer ser amada. Talvez. Não me lembro da última vez que o meu coração foi realmente meu, mas sei que não o quero de volta. Foi fora de mim que aprendeu a conjugar o verbo amar e foi por nós por ele que derrubei as estruturas. Agora lentamente volto a erguê-las. Não sei o que vem depois, mas não vou esperar. Foi esperar que me fez fugir. Não vou tentar. Foi tentar que me fez ser apenas metade de mim. Existir é o suficiente por hoje. Será o suficiente até voltar a ser eu.
Se ainda existir um eu.

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