Deixei de acreditar naquilo a que chamam destino, mas confio e acredito o suficiente na vida para saber e ter a (quase) certeza que tudo acontece por um motivo, mesmo quando o porquê não nos é óbvio; mesmo quando aquilo que acontece nos parece injusto, errado, não merecedor. O certo é que, de vez em quando, a vida precisa de nos empurrar para o chão e, da maneira menos engraçada, tocar aquela cicatriz que (ainda) dói e murmurar-nos, doce e discretamente, que aconteceu uma segunda vez. E na oportunidade de tocar e, principalmente, de reviver o passado, esta é - e deve ser - sinónimo de o reescrever. De ofuscar as memórias tristes para dar cor e espaço às felizes que construímos quando percebemos o porquê da vida nos ter murmurado. Nunca ninguém escreveu sobre como as lágrimas devem sempre prevalecer aos sorrisos, mas se pensarmos sobre - se eu pensar sobre - são essas que lembramos primeiro. Então, de vez em quando, a vida precisa de nos empurrar para o chão e, da maneira menos engraçada, fazer-nos perceber que é possível reescrever o passado, é possível fazê-lo com sorrisos e é possível deixar os mesmos em primeiro lugar. Se confiarmos o suficiente na vida, ela permite-nos saber que, apesar de nos parecer que não existe qualquer pontinho de luz no meio de tantos sem cor, é possível encontrar um e, se escolhermos abraçar esse, transformaremos todos os outros em semelhantes. "A vida consegue ser madrasta", diriam. Eu digo que também consegue disfarçar-se dela.
[a vida é uma questão de perspetiva]
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